Fim das coligações leva partidos a lançar mais nomes nas eleições municipais

Fim das coligações leva partidos a lançar mais nomes nas eleições municipais

A disputa municipal de 2020 terá número recorde de candidaturas, de acordo com a previsão de presidentes de partidos e analistas. Com o fim das coligações para as câmaras municipais a partir deste ano, cada legenda terá de apresentar uma lista fechada de candidatos a vereador e a tendência é lançar nomes próprios a prefeito para puxar votos para o Legislativo.

A intenção da nova regra é diminuir o total de partidos no país — hoje há 33 legendas registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) —, mas esse efeito só deve ser atingido em eleições seguintes. Os critérios para acesso ao fundo partidário e tempo de TV são baseados nos votos para a Câmara dos Deputados, mas a nova regra pode reduzir o espaço nos legislativos municipais dos partidos menores, que não poderão se coligar com siglas maiores, herdando seus votos.

No MDB, partido com o maior número de prefeituras, a intenção é aumentar a representatividade. Dirigentes estaduais sabem que devem lançar o maior número de candidatos possível para eleger vereadores, diz Baleia Rossi (SP), presidente do MDB.

— Esse foi o ponto mais positivo da reforma que votamos, diz Baleia Rossi, acrescentando: — Incentiva o partido a lançar candidatura, a ter ideologia, ter propostas, ter presença efetiva nas cidades. Vai acabar com os partidos de um dono só.

Para o cientista político Carlos Pereira (FGV), a oferta maior de candidatos é um efeito colateral da nova regra que pode ser positivo:

— Pode confundir o eleitor. O eleitor tem dificuldade em diferenciar os partidos, mas a gente tem que esperar para ver se vai haver uma identidade partidária maior pelo fato de os candidatos não pertencerem às coligações.

O presidente do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, diz não ter dúvidas de que esta eleição terá mais candidatos. Ele avalia que o DEM terá mais concorrentes, assim como outras legendas, mas evitará lançar nomes fracos. Ele ressalta que há circunstâncias nas quais uma aliança é exigida. Para ACM Neto, é preciso pesar a mudança na legislação com as realidades locais.

— Nas últimas eleições, só tivemos um candidato em capitais: eu, em Salvador. Agora teremos de oito a dez candidatos, onde temos chances reais. Mas é preciso entender também que o fundo para financiar as campanhas é limitado e não podemos apostar em todos os lugares, diz ACM Neto.

No mesmo espírito, o PSDB publicou uma resolução que determina a candidatura própria em cidades com população superior a 100 mil habitantes. O secretário-geral tucano, deputado Beto Pereira (MS), diz que a Executiva Nacional precisará deliberar qualquer tipo de aliança nos grandes centros.

— O PSDB é um partido nacional e sempre tem candidato à Presidência. Nos grandes centros, também queremos estar disputando as prefeituras, com presença na TV. Mas essa resolução também é motivada pelo fim das coligações, diz o secretário-geral.

O partido já vem, no entanto, costurando para receber e prestar apoio em importantes capitais. Em Salvador, por exemplo, deve apoiar Bruno Reis (DEM), aliado de ACM Neto, e em São Paulo deve receber apoios pela candidatura de Bruno Covas (PSDB).

Via Pe Notícias

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