Jatobá: Liderança Pankararu emite nota de repúdio contra ação da Polícia Militar no domingo (22) (Fotos)

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Lafaete Pankararu Liderança Pankararu e Presidente da União da Juventude Pankararu – UJP, Coordenador da Comissão de Articulação da Juventude Indígena – CAJI, lançou em seu perfil de Facebook uma nota de repúdio a ação da Polícia Militar esse fim de semana em terras Indígenas. Confira na íntegra a nota:

A nação PANKARARU, vem por meio desta, manifestar seu repúdio a ação da Polícia militar do Estado do Pernambuco, em seu território tradicional na data de 23/10/2017, em ocasião de festejos tradicionais de nosso povo no terreiro do Pajé velho Miguel Monteiro dos Santos, em frente a Igreja de Santo Antônio. Contrariando os direitos dos Povos originários, a Constituição de 1988, contrariando o caput do artigo 231 da Constituição, que garante a continuidade de nossas tradições e manifestações culturais, a polícia prendeu nossos convidados.
Em um ato totalmente abusivo e que fere a Constituição de 1988, os policiais prenderam nossos convidados membros do São Gonçalo e Bacamateiros, durante os nossos festejos , atacando diretamente também a Lei do Estado de Pernambuco n 15.152 que valoriza esta manifestação cultural . Um total desrespeito a nós povo Pankararu e a carta magna do governo brasileiro, no que tange ao Título VIII, Da Ordem Social, Capítulo VIII, Dos Índios.
Ainda que a ação visasse o estabelecimento da ordem e a nossa proteção, o que não foi o caso, pois estávamos em estado de celebração, ainda assim, caberia apenas a União este recurso.
Um ato de extrema covardia e preconceito que gerou todo um desespero na comunidade e deixou claro o despreparo da polícia no trato com as comunidades tradicionais. Até nossos encantados tiveram que intervir para nos fortalecer, retirando da viatura nossos convidados.
O artigo 215 da Constituição foi rasgado, tendo em vista que ele garante a proteção das manifestações culturais, sobretudo as indígenas e o que ocorreu foi uma violação de nossos direitos.
Assim sendo, manifestamos nossa idignação e queremos deixar claro que vamos fazer valer nosso direito reivindicando conforme o artigo 232 da constituição, que declara que somos partes legítimas para ingressar em juízo na defesa de nossos direitos e deveres.
Vamos nos mobilizar para apresentar ao Ministério Público Federal , esta ação completamente desrespeitosa ao Povo Pankararu e aos Bacamarteiros.
Sem mais,

LAFAETE PANKARARU
Liderança Pankararu e
Presidente da União da Juventude Pankararu – UJP, Coordenador da Comissão de Articulação da Juventude Indígena – CAJI.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Em 24 de junho, é festejado em todo o País o Dia de São João. Em Pernambuco, a data também passa agora a reverenciar a tradição nordestina dos bacamarteiros. Sancionada pelo ex-governador Eduardo Campos no ano passado, a Lei nº 15.152institui, no Calendário de Eventos de Pernambuco, o Dia Estadual do Bacamarteiro.

    O projeto que originou a lei é de autoria do deputado Augusto César, do PTB. A iniciativa está sendo festejada pelos representantes dessa tradição. Para Bento Martins, presidente da Associação dos Bacamarteiros de Caruaru e Região Agreste, a inclusão no calendário oficial do Estado faz justiça à história da cultura dos bacamarteiros. A data não será considerada feriado civil.

    Ele conta que, em Caruaru, no Agreste pernambucano, já é tradição cultuar este segmento cultural em 24 de junho. Segundo Bento Martins, a data é comemorada com a reunião de 28 grupos de bacamarteiros de Caruaru e outras cidades como Palmares, Bonito, Lagoa dos Gatos, Ibirajuba, Altinho, entre outras. Na visão do vice-presidente da Associação dos Bacamarteiros de Caruaru e Região Agreste, Janduir Santos, na cidade de Riacho das Almas, a lei estadual que institui o Dia do Bacamarteiro contribui para fortalecer cada vez mais a continuidade da tradição.

    A origem histórica dos bacamarteiros está na experiência de soldados vitoriosos em batalhas como a da Guerra do Paraguai, entre os anos de 1864 e 1870. O instrumento utilizado é o bacamarte, uma arma de fogo de cano curto e largo. Ainda hoje, alguns grupos se vestem com elementos que relembram os cangaceiros e os soldados da guerra.

    O deputado Augusto César lembra que os bacamartes são disparados com cargas de pólvora seca, em homenagem aos santos padroeiros, ou em cerimônias cívicas e políticas. A tradição passa de pai para filho. A sanfona de oito baixos, o triângulo, a zabumba de couro curtido e a banda de pífanos são instrumentos parceiros da tradição folclórica.

    O vestuário compõe-se de farda de algodão azul, lenço no pescoço, chapéu de couro, alpargatas e cartucheiras de flandres. Os comandantes do grupo exibem estrelas nos ombros e nos chapéus e usam bengalas ou guarda-chuvas como símbolo de liderança. Augusto César concluiu que todos os grupos do Estado têm o mesmo propósito: defender a bandeira da cultura pernambucana.

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